O DEA, ou Desfibrilador Externo Automático, é um equipamento capaz de analisar o ritmo cardíaco de uma pessoa em parada cardiorrespiratória (PCR) e, quando identifica determinados ritmos potencialmente reversíveis, indicar ou aplicar um choque elétrico.
É um dos equipamentos mais importantes no atendimento de uma parada cardíaca. Por isso, DEAs podem ser encontrados em aeroportos, academias, estádios, escolas, empresas, centros comerciais e outros locais com grande circulação de pessoas.
Apesar de parecer um equipamento complexo, o DEA foi desenvolvido justamente para permitir uma utilização simples e segura. Os aparelhos destinados ao acesso público fornecem instruções sonoras e visuais passo a passo e analisam automaticamente o ritmo cardíaco antes de permitir qualquer choque. As atuais diretrizes de ressuscitação incluem expressamente o uso do DEA por socorristas leigos, treinados ou não.
Mas existe um ponto fundamental: o DEA não substitui a reanimação cardiopulmonar (RCP). Em uma parada cardíaca, compressões torácicas de qualidade e desfibrilação precoce trabalham juntas para aumentar a possibilidade de sobrevivência.
Neste guia, você vai entender o que é um DEA, para que ele serve, quando deve ser utilizado e, principalmente, como utilizar um desfibrilador externo automático com segurança.
Sumário:
- O que é um DEA?
- Para que serve um DEA?
- Por que utilizar o DEA rapidamente é tão importante?
- Quando o DEA deve ser usado?
- Como usar o DEA passo a passo
- Onde colocar os eletrodos do DEA no adulto?
- O DEA pode ser usado por uma pessoa sem treinamento?
- O DEA pode dar choque em uma pessoa que não precisa?
- DEA em crianças e bebês: pode usar?
- E se a vítima estiver molhada?
- E se a pessoa tiver marca-passo ou desfibrilador implantável?
- E se houver um adesivo de medicamento no tórax?
- É preciso raspar os pelos do peito antes de usar o DEA?
- É necessário retirar corrente, piercing ou outras peças metálicas?
- O DEA pode ser usado em mulheres?
- O DEA pode ser usado em uma gestante?
- RCP ou DEA: qual deve vir primeiro?
- Onde encontrar um DEA?
- Perguntas Frequentes
- O que você precisa lembrar sobre DEA
- Referências
- Artigos relacionados
O que é um DEA?
DEA é a sigla para Desfibrilador Externo Automático.
Trata-se de um aparelho eletrônico portátil capaz de captar a atividade elétrica do coração através de eletrodos adesivos colocados sobre o tórax da vítima. O próprio equipamento analisa esse sinal e determina se existe um ritmo cardíaco no qual a desfibrilação pode ser benéfica.
Quando encontra um ritmo chocável, o aparelho prepara a descarga elétrica e orienta o socorrista sobre o que fazer.
Dependendo do modelo, existem duas formas principais de funcionamento. Nos aparelhos semiautomáticos, muito comuns, o equipamento informa que o choque está indicado e solicita que o socorrista pressione um botão. Nos modelos totalmente automáticos, a descarga é aplicada pelo próprio aparelho depois dos avisos de segurança.
Em ambos os casos, quem decide se existe indicação de choque é o equipamento, e não a pessoa que está utilizando o DEA.
Isso é uma das características que tornam o equipamento apropriado também para o acesso público.
Para que serve o DEA?
O DEA é utilizado durante uma parada cardiorrespiratória para identificar e tratar determinados ritmos elétricos anormais do coração.
Entre eles estão principalmente a fibrilação ventricular (FV) e a taquicardia ventricular sem pulso (TVSP).
Na fibrilação ventricular, a atividade elétrica dos ventrículos torna-se desorganizada. Em vez de o coração contrair de maneira coordenada e bombear sangue, as fibras musculares apresentam atividade elétrica caótica e o bombeamento efetivo deixa de ocorrer.
Na taquicardia ventricular sem pulso, a atividade elétrica ventricular é extremamente rápida e não consegue produzir uma circulação eficaz.
Nessas situações, a desfibrilação pode interromper a atividade elétrica anormal e criar uma oportunidade para que um ritmo cardíaco organizado seja restabelecido.
Essa explicação também ajuda a desfazer uma ideia bastante comum: o desfibrilador não é simplesmente um aparelho que “liga novamente um coração parado”.
Quando existe assistolia — popularmente associada a uma “linha reta” no monitor —, por exemplo, o DEA não indica choque. A atividade elétrica que poderia ser interrompida pela desfibrilação não está presente.
Também existe outro ritmo denominado atividade elétrica sem pulso (AESP), no qual há atividade elétrica, mas ela não produz circulação efetiva. Ele também não é tratado com choque pelo DEA.
Nesses casos, ouvir a mensagem “choque não indicado” não significa que a vítima esteja bem. Se ela continua inconsciente e sem respirar normalmente, a RCP deve ser retomada imediatamente.
Por que utilizar o DEA rapidamente é tão importante?
Durante uma parada cardíaca, o coração deixa de fornecer uma quantidade adequada de sangue e oxigênio ao cérebro e aos demais órgãos.
As compressões torácicas realizadas durante a RCP ajudam a manter parte dessa circulação enquanto o atendimento definitivo não acontece. Entretanto, quando a parada apresenta um ritmo chocável, a desfibrilação é o tratamento capaz de atuar diretamente sobre aquele ritmo elétrico.
Por isso, RCP e DEA não devem ser vistos como procedimentos concorrentes.
Enquanto alguém providencia o desfibrilador, outra pessoa deve continuar as compressões.
As Diretrizes AHA 2025 recomendam que, em adultos em parada cardíaca, a RCP seja mantida enquanto o desfibrilador ou DEA é obtido e preparado. A desfibrilação precoce é particularmente importante na fibrilação ventricular e na taquicardia ventricular sem pulso.
Dados analisados nessas diretrizes mostram também como o atraso pode ser relevante. Em um registro de paradas cardíacas testemunhadas com fibrilação ventricular, a probabilidade de sobrevivência até a alta hospitalar caiu aproximadamente 6% para cada minuto adicional até o primeiro choque. Esse valor provém de uma população específica e não deve ser interpretado como uma regra matemática válida para todas as ocorrências, mas demonstra claramente a importância do tempo.
Os programas de desfibrilação de acesso público, que disponibilizam DEAs em locais estratégicos, também estão associados a maior sobrevivência após parada cardíaca fora do hospital. Em um ensaio clássico revisado pelas Diretrizes AHA 2025, um programa que combinou treinamento em RCP e acesso ao DEA apresentou aproximadamente o dobro de sobreviventes em comparação com treinamento apenas em RCP.
É por isso que a desfibrilação precoce é parte essencial da chamada Cadeia de Sobrevivência.
Quando o DEA deve ser usado?
Para uma pessoa leiga, não é necessário tentar descobrir qual ritmo cardíaco a vítima apresenta.
O próprio equipamento fará essa análise.
Em adultos, as Diretrizes AHA 2025 orientam o socorrista leigo a presumir parada cardíaca quando encontra uma pessoa inconsciente, que não responde e que não apresenta respiração normal — incluindo quando apresenta apenas gasping, aquela respiração anormal, lenta e irregular que pode parecer um suspiro ou tentativa de respirar.
Nessa situação, deve-se acionar rapidamente o serviço de emergência, iniciar RCP e providenciar um DEA.
No Brasil, o SAMU pode ser acionado pelo número 192 e o Corpo de Bombeiros pelo 193. O SAMU 192 funciona gratuitamente, 24 horas por dia, e problemas cardiorrespiratórios estão entre as situações indicadas para seu acionamento.
Como usar o DEA passo a passo
Uma das maiores vantagens do desfibrilador externo automático é que, depois de ligado, o próprio aparelho orienta o socorrista. As mensagens podem variar ligeiramente de acordo com o fabricante, portanto as instruções fornecidas pelo equipamento sempre devem ser seguidas.
Em uma situação real, a sequência geral é:
- Confirme a emergência e peça ajuda. Se a pessoa não responde e não respira normalmente, acione o serviço de emergência. Se houver outras pessoas por perto, peça a alguém que procure o DEA enquanto você inicia a RCP. Se estiver sozinho e possuir telefone celular, coloque a chamada no viva-voz quando possível e siga as orientações da central de emergência. Continue a RCP enquanto o DEA está sendo buscado.
- Ligue o DEA assim que ele chegar. Alguns modelos são ligados por um botão; outros iniciam automaticamente ao abrir a tampa. A partir daí, ouça e siga as instruções fornecidas pelo aparelho.
- Exponha o tórax apenas o necessário para colocar os eletrodos. Os adesivos precisam ficar em contato direto com a pele. Se a região onde serão fixados estiver molhada, seque-a rapidamente para permitir boa aderência. Não interrompa as compressões além do necessário para preparar o paciente.
- Cole os eletrodos conforme os desenhos existentes nas próprias pás. No posicionamento anterolateral habitual do adulto, um eletrodo fica na parte superior direita do tórax, abaixo da clavícula, e o outro na lateral esquerda do tórax. O desenho impresso nos eletrodos é a referência mais simples em uma emergência.
- Conecte os eletrodos ao DEA se o modelo exigir essa etapa. Alguns aparelhos já possuem o cabo permanentemente conectado. Se houver outra pessoa fazendo a RCP, as compressões devem continuar durante a preparação e colocação dos eletrodos sempre que possível.
- Quando o DEA anunciar que está analisando o ritmo, ninguém deve tocar na vítima. Interrompa momentaneamente as compressões e afaste as mãos. Movimentos podem interferir na análise realizada pelo aparelho.
- Se o DEA indicar choque, afaste todos. Confirme visualmente que ninguém está tocando a vítima. Nos aparelhos semiautomáticos, pressione o botão de choque quando solicitado. Nos totalmente automáticos, o equipamento avisará antes de aplicar a descarga. Nunca toque na vítima durante o choque.
- Retome imediatamente as compressões torácicas. Não fique esperando para saber se o choque “funcionou” e não interrompa a ressuscitação para procurar pulso se você é um socorrista leigo. O DEA normalmente solicitará novo período de análise após aproximadamente dois minutos de RCP.
- Se o aparelho disser “choque não indicado”, volte imediatamente à RCP. Essa mensagem apenas significa que naquele momento o equipamento não identificou um ritmo tratável com desfibrilação.
- Continue seguindo as instruções do DEA até a chegada da equipe de emergência ou até que a pessoa apresente sinais claros de vida. Não retire os eletrodos apenas porque um choque já foi aplicado. O equipamento continuará acompanhando os ciclos de análise enquanto for necessário.
Essa estratégia procura reduzir ao máximo as interrupções das compressões torácicas. Pausas prolongadas antes ou depois do choque diminuem a circulação para o coração e o cérebro e estão associadas a piores resultados.

Onde colocar os eletrodos do DEA no adulto?
Os eletrodos sempre devem ser aplicados diretamente sobre a pele.
No posicionamento anterolateral mais conhecido, o primeiro eletrodo é colocado no lado superior direito do tórax, abaixo da clavícula. O segundo é colocado no lado esquerdo, mais lateralmente, aproximadamente na linha média da axila.
O objetivo é fazer com que a corrente elétrica atravesse adequadamente a região do coração.
As Diretrizes AHA 2025 consideram razoáveis tanto o posicionamento anterolateral quanto o anteroposterior em adultos. Na prática, entretanto, para um socorrista leigo, a melhor conduta é seguir os desenhos existentes nas próprias pás e as instruções fornecidas pelo fabricante.
Não tente improvisar posições diferentes apenas porque conhece outras possibilidades técnicas.

O DEA pode ser usado por uma pessoa sem treinamento?
Sim. O DEA moderno foi desenvolvido para permitir utilização por socorristas leigos, e as próprias diretrizes de suporte básico de vida contemplam pessoas treinadas e não treinadas.
O aparelho analisa automaticamente a atividade elétrica cardíaca e determina se existe indicação de desfibrilação. O usuário não precisa interpretar um eletrocardiograma.
Além disso, instruções de voz e imagens mostram o posicionamento dos eletrodos e orientam quando se afastar, quando fornecer o choque e quando retomar a RCP.
A American Heart Association destaca expressamente que os DEAs destinados ao acesso público são projetados para que qualquer pessoa possa utilizá-los durante uma parada cardíaca.
Isso não significa que treinamento seja desnecessário. Aprender RCP e praticar previamente o uso de um DEA aumenta a confiança, reduz hesitações e torna a resposta mais rápida.
Mas a falta de treinamento não deve impedir uma pessoa de buscar o DEA, ligá-lo e seguir suas orientações diante de uma suspeita de parada cardíaca.
O DEA pode dar um choque em uma pessoa que não precisa?
O equipamento não aplica indiscriminadamente uma descarga assim que é ligado.
Primeiro, os eletrodos captam a atividade elétrica cardíaca. O algoritmo do DEA analisa esse sinal e procura padrões compatíveis com ritmos desfibriláveis.
Se o ritmo não atender aos critérios programados para desfibrilação, o aparelho informa que o choque não é indicado.
É justamente essa análise automática que torna o DEA muito diferente do desfibrilador manual utilizado por profissionais especializados, no qual a interpretação do ritmo e várias decisões terapêuticas são realizadas pelo profissional.
O fato de o DEA não indicar um choque, entretanto, não determina que a pessoa deixou de estar em parada cardíaca. Assistolia e atividade elétrica sem pulso são exemplos de ritmos de parada nos quais a desfibrilação não é indicada.
Se a vítima permanece inconsciente e sem respiração normal, continue a RCP e siga as orientações do aparelho.
DEA em crianças e bebês: pode usar?
Sim. A desfibrilação também pode ser necessária em crianças e lactentes que apresentam parada cardíaca com ritmo chocável.
As Diretrizes AHA/AAP 2025 recomendam que um DEA seja conectado o mais rapidamente possível em lactentes e crianças em parada cardíaca, utilizando um atenuador pediátrico e eletrodos pediátricos quando estiverem disponíveis.
Para crianças com menos de aproximadamente 8 anos, deve-se dar preferência ao modo pediátrico ou ao sistema de redução de energia recomendado pelo fabricante.
Existe, porém, uma informação muito importante para situações reais: se não houver desfibrilador manual nem DEA com atenuação pediátrica disponível, as Diretrizes AHA 2025 permitem considerar o uso de um DEA sem atenuador em lactentes e crianças. Isso ocorre porque, diante de uma verdadeira fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso, deixar de desfibrilar pode eliminar a única intervenção capaz de tratar aquele ritmo.
Em crianças pequenas, os eletrodos não podem ficar encostados um no outro. O posicionamento anteroposterior, com um eletrodo no tórax e outro nas costas, pode facilitar essa separação. As diretrizes atuais também consideram razoável o posicionamento anterolateral quando houver espaço suficiente.
Sempre siga as instruções presentes no aparelho e nos próprios eletrodos.
A reanimação realizada imediatamente após o nascimento possui características específicas e segue protocolos próprios de reanimação neonatal, portanto não deve ser confundida com o atendimento habitual de crianças e lactentes abordado neste artigo.

E se a vítima estiver molhada?
Uma pessoa que sofreu uma parada cardíaca após afogamento ou próxima à água também pode precisar de desfibrilação.
Primeiro, a vítima deve estar em um local onde seja seguro realizar a ressuscitação. Retire-a da água e coloque-a em uma superfície adequada. Se a região do tórax onde serão aplicados os eletrodos estiver molhada, faça uma secagem rápida para melhorar a aderência.
Não deixe que essa preparação provoque uma interrupção prolongada da RCP.
Em paradas cardíacas decorrentes de afogamento, as Diretrizes AHA 2025 dão prioridade ao início rápido de RCP com compressões e ventilações, porque a falta de oxigênio é frequentemente o principal mecanismo envolvido. O DEA continua sendo indicado assim que puder ser aplicado adequadamente.
E se a pessoa tiver marca-passo ou desfibrilador implantável?
Algumas pessoas possuem um marca-passo ou um cardiodesfibrilador implantável sob a pele do tórax.
Isso não impede o uso do DEA durante uma parada cardíaca.
Geralmente é possível observar ou sentir uma pequena saliência sob a pele onde o aparelho foi implantado. Não coloque o eletrodo do DEA diretamente sobre esse dispositivo. Desloque a pá alguns centímetros — aproximadamente 2,5 cm quando possível — mantendo uma boa posição para a desfibrilação.
O importante é não deixar de utilizar o DEA simplesmente porque a vítima possui um dispositivo cardíaco implantado.
E se houver um adesivo de medicamento no tórax?
Alguns medicamentos são administrados através de adesivos colocados sobre a pele.
Se houver um adesivo exatamente no local onde deveria ser colocado o eletrodo do DEA, ele deve ser retirado antes da aplicação da pá, preferencialmente evitando contato direto do socorrista com o medicamento.
Limpe e seque rapidamente a região e coloque o eletrodo diretamente sobre a pele.
Da mesma forma, lesões importantes da pele ou objetos que impeçam a aderência podem exigir um pequeno ajuste na posição da pá.
O objetivo é garantir bom contato entre o eletrodo e a pele sem causar atrasos desnecessários na desfibrilação.
É preciso raspar os pelos do peito antes de usar o DEA?
Não de rotina.
Em uma emergência, cada interrupção desnecessária representa perda de tempo.
Se os pelos não impedirem a aderência adequada dos eletrodos, coloque as pás normalmente.
Quando a quantidade de pelos for tão grande que impeça os eletrodos de aderirem ao tórax, pode ser necessário raspar rapidamente apenas as áreas onde as pás serão aplicadas. Alguns kits de DEA possuem uma pequena lâmina justamente para essa finalidade.
O objetivo não é raspar todo o tórax, mas conseguir contato adequado entre eletrodo e pele.
É necessário retirar corrente, piercing ou outras peças metálicas?
Não se deve perder tempo retirando todos os objetos metálicos da vítima.
O principal cuidado é não colocar um eletrodo diretamente sobre uma peça metálica que interfira no contato com a pele. Se uma corrente, piercing ou outro objeto estiver exatamente no local necessário para a pá e puder ser afastado facilmente, faça isso.
Objetos que não interferem no posicionamento dos eletrodos não devem provocar atrasos desnecessários no atendimento.
O DEA pode ser usado em mulheres?
Sim.
Uma mulher em parada cardíaca precisa da mesma rapidez no reconhecimento, RCP e desfibrilação que qualquer outra pessoa.
Os eletrodos precisam entrar em contato diretamente com a pele, mas isso não significa necessariamente retirar completamente o sutiã. As Diretrizes AHA 2025 observam que ele pode ser reposicionado quando isso permitir a colocação correta dos eletrodos.
Exponha somente o necessário para realizar o atendimento e preserve a dignidade da pessoa sempre que possível, sem atrasar uma intervenção capaz de salvar sua vida.
As pás não devem ser colocadas diretamente sobre o tecido mamário; siga o desenho indicado nos eletrodos.
O DEA pode ser usado em uma gestante?
Sim.
A gravidez não elimina a indicação de RCP ou desfibrilação em uma parada cardíaca.
As Diretrizes AHA 2025 mantêm a desfibrilação como parte das medidas de ressuscitação da gestante em parada cardiorrespiratória. O atendimento profissional possui adaptações específicas relacionadas às alterações fisiológicas da gravidez, mas a presença de gestação não é motivo para deixar de utilizar o DEA quando ele estiver indicado.
Para o socorrista leigo, a prioridade continua sendo reconhecer a parada, acionar ajuda, iniciar a RCP e utilizar o DEA assim que disponível.
RCP ou DEA: qual deve vir primeiro?
A resposta é: os dois, o mais rapidamente possível.
Não interrompa a RCP para sair procurando um desfibrilador se isso significar deixar a vítima completamente sem atendimento.
Quando existem duas ou mais pessoas, a organização ideal é simples: enquanto uma começa a RCP, outra aciona a emergência e busca o DEA.
Quando o aparelho chega, ele deve ser preparado enquanto as compressões continuam. A RCP só deve ser interrompida quando o equipamento solicitar que ninguém toque na pessoa durante a análise do ritmo e durante a aplicação do choque.
Depois disso, as compressões são retomadas imediatamente.
Essa combinação entre reconhecimento precoce da parada cardíaca, acionamento do serviço de emergência, RCP de qualidade e desfibrilação precoce forma uma das partes mais importantes da Cadeia de Sobrevivência.
Onde encontrar um DEA?
Os desfibriladores de acesso público costumam ser instalados em locais com grande circulação de pessoas ou onde existe maior possibilidade de uma parada cardíaca ser testemunhada.
É comum encontrá-los em aeroportos, terminais, estádios, academias, escolas, universidades, empresas, prédios públicos e centros comerciais.
Normalmente ficam armazenados em armários ou caixas identificados por símbolos de emergência e pela indicação DEA ou AED, sigla utilizada internacionalmente para Automated External Defibrillator.
A disponibilidade do equipamento, entretanto, só é útil quando ele pode chegar rapidamente até a vítima.
Por esse motivo, as atuais recomendações sobre sistemas de atendimento enfatizam não apenas a instalação dos aparelhos, mas também sinalização clara, facilidade de acesso, treinamento da comunidade e integração dos DEAs aos sistemas de resposta às emergências.
Perguntas frequentes sobre DEA
O DEA faz o coração voltar a bater?
Não exatamente. A desfibrilação interrompe determinados ritmos elétricos anormais, principalmente fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso. A partir dessa interrupção, existe a possibilidade de o sistema elétrico cardíaco restabelecer uma atividade organizada. O choque não é indicado para todos os tipos de parada cardíaca.
O DEA dá choque quando não é necessário?
O equipamento analisa o ritmo antes da desfibrilação. Se não identificar um ritmo chocável, ele informa que o choque não é indicado. Por isso, a pessoa que utiliza um DEA de acesso público não precisa decidir qual ritmo a vítima apresenta.
Quantos choques podem ser aplicados?
Não existe um número que o socorrista leigo precise contar ou determinar. O DEA realizará novas análises periodicamente e informará se existe indicação de outro choque. Continue seguindo as orientações do equipamento e realizando RCP entre as análises.
Depois do choque devo verificar o pulso?
O socorrista leigo deve retomar imediatamente as compressões, em vez de perder tempo procurando pulso. Siga as instruções do DEA. Se a vítima começar a apresentar sinais claros de vida ou respiração normal, a situação deverá ser reavaliada conforme as orientações da central de emergência.
O DEA substitui a RCP?
Não. A RCP mantém alguma circulação sanguínea durante a parada cardíaca, enquanto a desfibrilação trata os ritmos chocáveis. Os melhores resultados dependem da associação entre RCP precoce e desfibrilação rápida.
Posso usar o DEA mesmo sem nunca ter feito um curso?
Sim. Os aparelhos de acesso público são projetados para orientar o usuário durante o atendimento. Treinamento prévio é altamente desejável porque aumenta segurança e rapidez, mas a ausência de treinamento não deve impedir alguém de ligar o DEA e seguir suas instruções diante de uma parada cardíaca.
O que você precisa lembrar sobre o DEA
O DEA é muito mais do que um equipamento encontrado em uma caixa na parede.
Quando uma pessoa sofre uma parada cardiorrespiratória causada por um ritmo chocável, cada minuto até a desfibrilação pode influenciar o desfecho. Ao mesmo tempo, a RCP ajuda a manter o fluxo de sangue enquanto o equipamento é localizado e preparado.
Por isso, diante de uma pessoa inconsciente que não respira normalmente, as prioridades são claras: reconheça rapidamente a emergência, acione o serviço especializado, inicie a RCP e providencie um DEA o mais cedo possível.
Quando o aparelho chegar, ligue-o e siga suas instruções.
Não tenha medo de “escolher o choque errado”: é o DEA que analisa o ritmo e determina se a desfibrilação está indicada.
Saber reconhecer uma parada cardíaca, realizar RCP e utilizar um DEA transforma uma pessoa comum presente no local em um elo ativo da Cadeia de Sobrevivência.
E, em uma parada cardíaca, agir cedo pode fazer toda a diferença.
Referências
AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 7: Adult Basic Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation, v. 152, supl. 2, p. S448–S478, 2025. DOI: 10.1161/CIR.0000000000001369.
AMERICAN HEART ASSOCIATION; AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Part 6: Pediatric Basic Life Support: 2025 American Heart Association and American Academy of Pediatrics Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation, v. 152, supl. 2, p. S424–S447, 2025. DOI: 10.1161/CIR.0000000000001370.
AMERICAN HEART ASSOCIATION. 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care: Systems of Care. Dallas: American Heart Association, 2025.
BROOKS, S. C. et al. Optimizing Outcomes After Out-of-Hospital Cardiac Arrest With Innovative Approaches to Public-Access Defibrillation: A Scientific Statement From the International Liaison Committee on Resuscitation. Circulation, v. 145, p. e776–e801, 2022. DOI: 10.1161/CIR.0000000000001013.
INTERNATIONAL LIAISON COMMITTEE ON RESUSCITATION (ILCOR). Public Access AED Program (BLS #347): Systematic Review. Brussels: ILCOR. Recomenda a implementação de programas de desfibrilação de acesso público para vítimas de parada cardíaca extra-hospitalar.
BRASIL. Ministério da Saúde. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU 192. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível no portal oficial do Ministério da Saúde. Acesso em: 10 set. 2026.
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