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O engasgamento está entre as emergências mais comuns e mais temidas do cotidiano — e existe um motivo para isso. Uma obstrução grave das vias aéreas pode impedir a passagem de oxigênio para os pulmões e evoluir rapidamente para uma situação crítica. A falta de oxigenação pode provocar danos importantes ao organismo em poucos minutos, tornando a resposta rápida essencial. A boa notícia é que, em muitos casos, uma intervenção correta realizada por alguém que conheça técnicas básicas de primeiros socorros pode salvar uma vida. Neste guia, você vai aprender como identificar um engasgamento, quais atitudes tomar em diferentes situações, o que nunca fazer e quando procurar atendimento especializado. O conteúdo foi adaptado com base em diretrizes internacionais da American Heart Association (AHA) e European Resuscitation Council (ERC), considerando a realidade brasileira.

O que é o engasgo (OVACE)

Engasgo, também conhecido como engasgamento ou OVACE (Obstrução de Vias Aéreas por Corpo Estranho), ocorre quando algum objeto impede parcial ou totalmente a passagem do ar pelas vias respiratórias.

   Os objetos mais comuns incluem:

    • Alimentos;

    • Balas;

    • Moedas;

    • Pequenos brinquedos;

    • Objetos diversos.

O organismo possui mecanismos naturais de defesa, principalmente a tosse, que muitas vezes consegue expulsar o objeto sozinho.

O problema acontece quando:

    • A obstrução se torna total;

    • A vítima não consegue tossir com força suficiente;

    • O fluxo de ar fica severamente comprometido.

Essa situação pode acontecer com qualquer pessoa, mas alguns grupos apresentam maior risco:

    • Bebês e crianças pequenas;

    • Idosos;

    • Pessoas com doenças neurológicas;

    • Pessoas com dificuldade de deglutição.

Como identificar o engasgo

Antes de iniciar qualquer manobra, é importante identificar corretamente a situação.

Sinais comuns de engasgo

    • Levar as mãos ao pescoço (sinal universal de engasgamento);

    • Dificuldade para falar;

    • Tosse fraca ou ausência de tosse;

    • Dificuldade respiratória;

    • Respiração ruidosa ou silenciosa;

    • Coloração azulada nos lábios ou dedos (cianose);

    • Expressão intensa de desconforto ou pânico;

    • Perda de consciência nos casos mais graves.

Pergunte:

“Você está engasgado?”

Se a pessoa consegue responder verbalmente, significa que algum fluxo de ar ainda está passando.

Ainda é uma situação importante, mas pode não representar obstrução total naquele momento.

O que fazer em adultos e crianças acima de 1 ano

Engasgamento parcial (a vítima consegue tossir)

Quando a vítima apresenta tosse eficaz, algum ar ainda está passando.

Nessa situação:

1. Incentive a tosse forte

Oriente:

“Continue tossindo.”

2. Observe constantemente

Monitore sinais de piora:

    • Tosse enfraquecendo;

    • Dificuldade crescente para respirar;

    • Incapacidade de emitir sons.

3. Acione ajuda especializada

Se houver piora ou dúvidas:

SAMU — 192
Corpo de Bombeiros — 193

Evite realizar outras intervenções desnecessárias enquanto a vítima mantém tosse eficaz.

Engasgamento total (a vítima não consegue falar nem tossir)

Essa é uma emergência respiratória grave.

Aja imediatamente.

Passo 1 — Acione ajuda

Peça para alguém ligar para:

SAMU — 192
Corpo de Bombeiros — 193

Se estiver sozinho, utilize o viva-voz sempre que possível enquanto inicia as manobras.

Passo 2 — Realize 5 golpes nas costas

    • Fique ao lado e ligeiramente atrás da vítima;

    • Incline a vítima para frente;

    • Apoie o tórax com uma mão;

    • Com a palma da outra mão, aplique 5 golpes firmes entre as escápulas.

Cada golpe deve tentar gerar força suficiente para deslocar o objeto.

Sequencia para realização de golpes nas escápulas.

Passo 3 — Realize 5 compressões abdominais (Manobra de Heimlich)

Manobra de Heinlich em adultos e crianças.

    • Posicione-se atrás da vítima;

    • Passe os braços ao redor da cintura;

    • Feche uma das mãos em punho;

    • Posicione o punho entre o umbigo e o esterno;

    • Segure o punho com a outra mão;

    • Realize 5 compressões rápidas para dentro e para cima em forma de “J”.

       

Passo 4 — Continue alternando

Alterne:

    • 5 golpes nas costas;

    • 5 compressões abdominais.

Continue até:

    • O objeto ser expelido;

    • A vítima voltar a respirar;

    • A vítima perder a consciência;

    • O socorro assumir o atendimento.

Passo 5 — Se a vítima perder a consciência

Se a vítima perder a consciência, deite-a no chão e inicie a Ressuscitação cardiopulmonar.

    • Deite a vítima cuidadosamente no chão;

    • Acione ajuda caso ainda não tenha feito;

    • Inicie RCP.
    •  

Ao abrir as vias aéreas para ventilação:

    • Observe se existe objeto visível na boca;

    • Remova apenas se estiver claramente visível e facilmente acessível.

Nunca realize varredura às cegas com os dedos.

Vítimas obesas ou gestantes

Manobra de desobstrução em pessoas obesas.

Compressões abdominais podem não ser adequadas nesses casos.

Substitua por compressões torácicas:

    • Posicione-se atrás da vítima;

    • Coloque o punho no centro do tórax;

    • Realize compressões para dentro;

    • Continue alternando com os golpes nas costas.

O que fazer em bebês (até 12 meses)

O atendimento em bebês possui protocolo específico.

Nunca aplique a Manobra de Heimlich em bebês.

Compressões abdominais podem provocar lesões graves.

Passo 1 — Posicione o bebê

    • Coloque o bebê com o rosto voltado para baixo sobre seu antebraço;

    • Mantenha a cabeça ligeiramente abaixo do tronco;

    • Apoie a cabeça sem comprimir o pescoço.

Passo 2 — Faça 5 golpes nas costas(tapotagens)

    • Aplique 5 golpes entre as escápulas;

    • Utilize força moderada.

Passo 3 — Faça 5 compressões torácicas

    • Vire o bebê cuidadosamente;

    • Posicione dois dedos no centro do tórax, abaixo da linha dos mamilos;

    • Faça 5 compressões.

Passo 4 — Continue alternando

Repita:

    • 5 golpes nas costas;

    • 5 compressões torácicas.

Continue até:

    • O objeto sair;

    • O bebê voltar a respirar normalmente;

    • O socorro assumir o atendimento.

Ciclo para desobstrução de vias aéreas em bebês.

 

O que fazer se você estiver sozinho

Se você for a vítima:

1. Tente tossir com força

Se ainda consegue respirar parcialmente, utilize a tosse.

2. Tente compressões em si mesmo

    • Posicione o punho entre o umbigo e o esterno;

    • Faça movimentos para dentro e para cima.

3. Utilize uma superfície firme

    • Encoste o abdome em uma mesa, cadeira ou bancada;

    • Projete o peso do corpo contra a superfície.

O que nunca fazer

Alguns erros podem piorar significativamente a situação:

    • Fazer varredura às cegas com o dedo;

    • Oferecer água;

    • Aplicar Heimlich em bebês;

    • Esperar melhora espontânea quando a vítima não consegue falar ou respirar;

    • Interromper as manobras precocemente.

Quando procurar atendimento médico mesmo após a melhora

Mesmo após a retirada do objeto, procure avaliação se:

    • O objeto era grande ou pontiagudo;

    • Houve perda de consciência;

    • Existe dificuldade respiratória persistente;

    • A vítima é bebê ou criança pequena;

    • Foi necessário realizar RCP.

Números de emergência no Brasil

SAMU: 192
Corpo de Bombeiros: 193
Polícia Militar: 190

Perguntas frequentes sobre engasgamento

Como saber se alguém realmente está engasgado?

Os sinais mais comuns incluem dificuldade para falar, tossir ou respirar normalmente.

Posso oferecer água?

Não. A água pode dificultar a situação.

Posso fazer Heimlich em bebês?

Não. Bebês utilizam protocolo específico com golpes nas costas e compressões torácicas.

Depois que o objeto saiu preciso procurar atendimento?

Depende. Bebês, pessoas que perderam a consciência ou apresentem sintomas persistentes devem ser avaliados.

Conclusão

O engasgamento não avisa e não espera.

Conhecer as técnicas corretas, manter a calma e agir rapidamente pode fazer enorme diferença nos primeiros minutos de uma emergência.

O melhor momento para aprender primeiros socorros é antes de precisar utilizá-los.

Guarde este conteúdo e compartilhe com sua família.

Você pode nunca precisar usar esse conhecimento — mas, se precisar, ele pode salvar uma vida.

Fontes: American Heart Association (AHA) — Guidelines for CPR and ECC | European Resuscitation Council (ERC) Guidelines | Ministério da Saúde — Atendimento Pré-Hospitalar

Última atualização: [Mês/Ano]

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